Direito e Justiça

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O mais novo escândalo político nacional, relacionado ao Banco Master, suscita “estranheza”, agora,  em relação à conduta de ilustres magistrados do STF.

O cuidado no uso da expressão parece conveniente, a fim de não antecipar qualquer juízo de valor.

Contudo, distinguir a Corte, enquanto instituição, de seus pares, embora essa distinção me pareça óbvia, em tempos tão “estranhos”, em que instituições são confundidas com seus líderes, parece importante.

Como advogado, patrocino o interesse de várias causas, cujas matérias competem, em última instância, ao STF.

Tenho críticas, reveladas a clientes, colegas e, por vezes, em peças processuais, em relação à julgados da Corte, inclusive, em alguns casos, o que não é novidade aos que me conhecem, mesmo quando favoráveis aos interesses patrocinados.

Decisões judiciais, inclusive da Suprema Corte, se discutem, seja somente a bem do exercício do direito de expressão e livre pensamento, seja sob o interesse de alterá-las.

Contudo, desacreditar a instituição, com base na análise da estranheza da conduta particulares de seus pares, ou mesmo quando a estranheza se revele no próprio exercício da atividade jurisdicional, me parece temerário.

Temerário porque o descrédito do poder judicial suscita a desesperança, essa por sua vez o desejo de insurreição, que se alimentado e manifesto, a bem da uma suposta ordem, estabelece a desordem e, ao fim, inevitavelmente, a justiça buscada, revela-se injustiça alcançada.

O dilema entre direito e justiça, em especial aos desejosos que essa última seja estabelecida, impõe o respeito ao direito, à ordem, sem o que, a desejada justiça não se faz possível de ser realizada.

Embora o direito não possa garantir a existência do ideal de justiça, ele se oferece como meio, como instrumento a sua conquista. Ignorá-lo, senão combatê-lo, a bem do ideal da justiça, torna evidente o profundo desconhecimento em relação à justiça.

Fábio Pedraza

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